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ToggleQuais são as ilhas dos Açores e o que ver em cada uma , contadas por quem chama isto de casa:
Quem nasce ou vive nos Açores aprende cedo uma coisa:
não existe “os Açores” como um lugar só. Existem nove ilhas, nove temperamentos, nove maneiras diferentes de o Atlântico nos moldar.
Cresci a ouvir histórias de viagens entre ilhas feitas em barcos pequenos, de dias em que o tempo decidia tudo, de vulcões que ainda hoje nos lembram que a terra aqui está viva. Este não é um guia turístico comum. É um relato de quem vive o arquipélago por dentro, com respeito pela sua história, geografia e identidade.
Se quer saber quais são as ilhas dos Açores e o que ver em cada uma, venha comigo, mas venha devagar!
Antes de tudo: onde ficam os Açores e porque são diferentes de tudo
Os Açores ficam no meio do Atlântico Norte, sobre uma zona geológica instável, onde três placas tectónicas se encontram. Isso explica muito do que somos:
terra que sobe, mar que avança, gente que aprende a resistir.
Descobertos oficialmente no século XV por navegadores portugueses, os Açores tornaram-se ponto estratégico nas rotas atlânticas, abrigo de marinheiros, escala de impérios e, mais tarde, casa de comunidades que aprenderam a viver isoladas, mas resilientes.
O arquipélago divide-se em três grupos:
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Oriental: São Miguel e Santa Maria
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Central: Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial
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Ocidental: Flores e Corvo
Agora sim, vamos ilha por ilha.

São Miguel — onde tudo começa
Para muitos, São Miguel é a porta de entrada. Para nós, é a ilha que ensinou os Açores a crescer sem perder o verde.
Aqui nasceram cidades, comércio, instituições. Ponta Delgada tornou-se capital administrativa, mas São Miguel nunca deixou de ser rural por dentro.
O que ver em São Miguel
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Lagoa das Sete Cidades, envolta em lendas antigas
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Furnas, onde a terra ferve e cozinha
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Lagoa do Fogo, intocada quando o tempo permite
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Plantações de chá — únicas na Europa
Historicamente, São Miguel foi a ilha que mais recebeu população, trabalho e investimento. Ainda hoje, é a mais completa — mas também a mais movimentada.
Até ao terramoto de Outubro de 1522, que deixou um rasto de destruição atrás de si, a capital era Vila Franca do Campo. Ponta Delgada ganhou então um papel fundamental, e foi elevada à categoria de cidade em 1546. A última parte do século XVI foi marcada por muitos ataques piratas; São Miguel foi também ocupado por tropas espanholas em 1582, dada a resistência açoriana às forças militares do novo rei de Portugal, Filipe II de Espanha. Após a restauração da monarquia portuguesa, em 1640, o desenvolvimento comercial recomeçou, e os laços com o Brasil estreitaram-se ainda mais.
A exportação de laranjas, principalmente para a Grã-Bretanha, foi a principal fonte de riqueza entre o século XVIII e a primeira metade do século seguinte. Muitas das igrejas decoradas com talha dourada, e os edifícios de pedra finamente talhada que hoje surpreendem os visitantes, remontam a esta época. A perda de laranjais, após algumas infestações que os destruíram a partir de 1870, reduziu drasticamente a produção e esteve na origem de um fluxo de emigração para o Brasil e os Estados Unidos.
A introdução de novas culturas – ananás, chá, tabaco e linho da Nova Zelândia (Phormium) – deu origem a uma nova expansão económica no século XIX. A economia continuou a florescer durante o século XX, principalmente graças à criação de gado, que alimentou a indústria dedicada à transformação de leite. A partir de 1980, ocorreu o desenvolvimento do sector terciário, que emprega actualmente a maioria da população. O turismo é um dos mais recentes desafios em São Miguel, uma ilha que é também a sede do Governo Regional dos Açores.


As piscinas de água quente natural são uma das maravilhas da natureza em São Miguel:
Espectaculares, como a da Caldeira Velha, com a sua corrente de água transparente que corre ao longo das veias de uma cor ocre viva incrustada em rocha negra; majestosas, como a da água ferrosa amarelada do Parque Terra Nostra, um jardim botânico sem igual; secretas, como as piscinas cristalinas e a lama tonificante da Poça da Beija; calmo, como no histórico edifício termal das Caldeiras da Ribeira Grande, datado de 1811 e rodeado de árvores e campos de fumo; ou mesmo chocante, na “hidrópole” das Furnas, onde existem dezenas de fontes termais, fumarolas e águas efervescentes naturais de bicarbonato, que fazem deste local uma Meca do termismo mundial e uma estação de engarrafamento virtual.
Santa Maria — a primeira terra pisada
Santa Maria foi a primeira ilha dos Açores a ser descoberta. Talvez por isso seja diferente: mais seca, mais clara, mais antiga.
Os solos são distintos, as praias existem (coisa rara nos Açores) e o sol aparece mais vezes.
O que ver em Santa Maria
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Praia Formosa
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Barreiro da Faneca, apelidado de “deserto”
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Vila do Porto, cheia de história
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Trilhos costeiros antigos
Santa Maria guarda memórias da chegada de Colombo, do início da ocupação humana e de um Açores ainda em formação.
Em 1493, os navios de Cristóvão Colombo atracaram na ilha de Santa Maria, no seu regresso da primeira viagem de descoberta da América. Os desembarques de outros navios estrangeiros foram mais ferozes: nos séculos XVI e XVII a ilha foi repetidamente assaltada e saqueada por corsários ingleses, franceses, turcos e norte-africanos árabes. Em 1616, foi ocupada pelos Mouros durante uma semana. Segundo a lenda, uma parte da população refugiou-se na caverna chamada Furna de Santana para escapar a pilhagens, fogos, torturas e raptos. Em 1675, os piratas mouros regressaram à baía de Anjos, e partiram, levando prisioneiros para venderem com escravos.
Após o sucesso das exportações para a indústria têxtil, os séculos XVII e XVIII assistiram ao desenvolvimento do cultivo da vinha, trigo, milho, fruta, batata e inhame, bem como da criação e produção de lacticínios . Embora os tempos fossem mais calmos, a economia de subsistência da ilha estimulava a emigração de uma parte da população. No século XX, começou uma nova dinâmica de desenvolvimento, principalmente graças à construção do aeroporto. Iniciada em 1944, e confiada a milhares de armas americanas e açorianas, a estrutura revelou-se estratégica para os Estados Unidos, especialmente na luta anti-submarino, durante a Segunda Guerra Mundial. No final do conflito, o aeroporto tornou-se civil e transformou-se numa escala para aviões que atravessam o Atlântico. No final da década de 1960, os novos jactos, com maior autonomia de voo, deixaram de aterrar em Santa Maria, mas o seu importante papel como centro de controlo de tráfego aéreo no Atlântico nunca falhou. Actualmente, a base da economia da ilha é o sector terciário, seguido das actividades agrícolas e da pesca.


Terceira — onde a História ganhou pedra
Se os Açores têm um coração histórico, ele bate na Terceira.
Angra do Heroísmo não é apenas uma cidade bonita — é um testemunho vivo da importância dos Açores nos séculos da navegação atlântica.
O que ver na Terceira
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Angra do Heroísmo (Património Mundial)
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Algar do Carvão, no interior da terra
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Serra do Cume
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Festas tradicionais que ainda mobilizam a ilha inteira
A Terceira sempre foi palco de decisões, resistência e identidade cultural forte. Aqui, tradição não é encenação — é vivida.
Em 1580, por ocasião da adesão ao trono de Portugal pelo rei espanhol Filipe II, os habitantes da Ilha Terceira apoiaram o candidato português, D. António Prior do Crato. A Espanha tentou erradicar a revolta, mas o primeiro desembarque das tropas castelhanas, em 1581, resultou numa pesada derrota, durante a famosa batalha de Salga. Dois anos mais tarde, os espanhóis regressaram com um contingente maior, e conseguiram predominar após violentas batalhas. Com a Restauração de 1640, Portugal recuperou a sua independência, e a Terceira consolidou a sua posição como o centro do arquipélago.
A coragem dos habitantes foi novamente posta à prova durante as Guerras Liberais. Tendo abraçado largamente a causa liberal, a população da ilha levantou-se contra o domínio absolutista, já totalmente triunfante noutras zonas do país. Em 1829, uma feroz batalha naval terminou com a derrota das tropas absolutistas de D. Miguel que tentavam aterrar na praia da Praia. Após este evento, a cidade mudou o seu nome para Praia da Vitória (“praia da vitória”). Durante este período histórico conturbado, a Terceira foi a base a partir da qual D. Pedro IV organizou a reconquista do trono e reforçou a monarquia constitucional. Angra foi nomeada capital do reino de Portugal, e “do Heroísmo” (o nome actual significa “enseada do heroísmo”) foi acrescentado ao seu nome. Em 1832, o exército naval e o exército deixaram a ilha, dirigindo-se para o continente. O seu desembarque na praia do Mindelo foi decisivo para a vitória do ideal liberal.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos foram autorizados a instalar uma base militar na ilha, perto da Praia da Vitória, que mais tarde passou para a Força Aérea Norte-Americana. A bem conhecida e ainda operacional base da OTAN nas Lajes produziu a sua influência sobre as populações locais. Orgulhosa do seu passado rico em negócios, a Terceira é ainda uma ilha muito dinâmica no interior do arquipélago. Em 1983, o centro histórico de Angra do Heroísmo foi reconhecido pela UNESCO como parte do património mundial.


Na Praia da Vitória,
a maior da ilha, a história combina diversão, urbanidade com isolamento e o sol com águas quentes. Há muitas piscinas naturais por toda a ilha, mais ou menos equipadas com instalações balneares: Porto Martins, Biscoitos, Negrito e Silveira são apenas algumas delas. Espigões, promontórios e enseadas caracterizam toda a costa da Ilha Terceira, garantindo cenários de rara beleza, como no caso das baías de Quatro Ribeiras, Salga, Mina ou Fanal.
Graciosa — a arte de viver sem pressa
A Graciosa ensina algo raro: não fazer nada também é viver.
Pequena, plana e tranquila, sempre foi uma ilha agrícola, de comunidades próximas e vida simples.
O que ver na Graciosa
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Furna do Enxofre
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Termas do Carapacho
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Santa Cruz da Graciosa
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Moinhos tradicionais
Historicamente, a Graciosa foi refúgio, lugar de descanso e contemplação. Continua a ser.
Os períodos de seca e catástrofes naturais foram episódios incisivos e constantes na história da Graciosa, acabando por causar um empobrecimento generalizado. Tal como noutras ilhas, a produção de vinho sofreu um declínio notável durante o século XIX, como consequência da ocorrência de oídio e filoxera, doenças das vinhas que afectaram a maior parte das colheitas. Entre 1950 e 1970 um fluxo de emigração para os Estados Unidos tornou a paisagem socioeconómica da ilha ainda mais árida. Um movimento cooperativo sindical que pretende recuperar parte da tradição e da cultura do vinho culminou, em 1994, com o nascimento da Denominação de Origem “Graciosa”. Actualmente, a produção de lacticínios e de carne é central para a actividade económica da ilha. A terra, dividida em muitas pequenas propriedades, é também ocupada pelo cultivo de milho, legumes e árvores de fruto.
Nos anos 80, a construção do aeródromo e do porto comercial da Praia abriu novas perspectivas para o futuro: e a Graciosa estava também no caminho do turismo sustentável.


Em Carapacho
A presença de águas termais a cerca de 40°C permite banhos relaxantes e terapêuticos em águas cujas propriedades benéficas são bem conhecidas. Uma moderna instalação termal oferece aos visitantes uma grande variedade de técnicas e valores, num ambiente natural acolhedor e idílico, com vista para o oceano e para a ilhota chamada Ilhèu de Baixo. No mesmo resort, nas piscinas naturais recentemente renovadas, pode desfrutar de um banho em água do mar aquecida por água termal, passando assim por uma relaxante e exótica talassoterapia natural.
São Jorge — a ilha que se ganha a pé
São Jorge não se oferece fácil. Ela exige pernas, fôlego e respeito.
As fajãs, formadas por desabamentos e lavas antigas, são testemunhos da luta entre terra e mar.
O que ver em São Jorge
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Fajã da Caldeira de Santo Cristo
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Fajã dos Cubres
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Trilhas vertiginosas
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Produção do queijo de São Jorge
Aqui, a história é feita de isolamento e engenho humano. Cada fajã era quase um mundo à parte.
Particularmente famosa foi a incursão do Du-Gray-Trouin francês a Velas, em 1708. Derrotado pela resistência heróica da população, o corsário teve de vencer um retiro, sofrendo pesadas perdas entre os seus companheiros.
Entre os séculos XVI e XIX, a vida dos habitantes foi amargurada por crises agrícolas que causaram fome, e por violentos terramotos e erupções vulcânicas. A economia não se desviou do modelo das restantes ilhas: o cultivo do trigo e da vinha, a colheita de Roccella tinctoria e a criação de gado bovino e ovino, o que rapidamente levou ao desenvolvimento de dois sectores secundários, os relacionados com o queijo e a lã.
A pesca tornou-se bastante importante entre o final do século XIX e o início do século XX, primeiro devido à actividade baleeira, e depois, a partir de 1960, graças à pesca do atum. Actualmente, a grande qualidade das pastagens de São Jorge reflecte-se na produção de um queijo típico, feito de leite de vaca, com Denominação de Origem Protegida, uma vez que a ilha é a zona de produção do queijo IGP São Jorge. . A existência de um aeroporto e dos modernos portos de Velas e Calheta contribui para a plena integração de São Jorge no arquipélago e no mundo.


Como no resto do arquipélago, em São Jorge existem excelentes condições naturais para a prática de actividades como o mergulho, a pesca, a vela e o caiaque. As ondas da Fajã da Caldeira de Santo Cristo são uma Meca europeia do surf e do bodyboard, modalidades que também podem ser praticadas em outros pontos interessantes da costa norte. Existem piscinas naturais em Velas, Fajã do Ouvidor, Fajã Grande e Topo.
Praias e piscinas naturais nos Açores
Em terra, a geografia da ilha permite excursões inesquecíveis a pé ou em circuitos BTT. A escalada desportiva (em Urzelina) e o canyoning estão em grande desenvolvimento.
Com a ajuda de um guia e do equipamento necessário, os entusiastas feiticeiros encontram lugares interessantes nas grutas de Montoso e Bocas do Fogo (“bocas de fogo”) que, com os seus respectivos 140 e 120 metros de profundidade, constituem um desafio estimulante para os entusiastas e profissionais.
Pico — a montanha que nos vigia
A Montanha do Pico não é só o ponto mais alto de Portugal. É um símbolo.
Durante séculos, orientou navegadores, desafiou homens e moldou o carácter da ilha.
O que ver no Pico
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Montanha do Pico
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Vinhas de pedra (Património Mundial)
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Lajes do Pico
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Cultura baleeira
O Pico vive entre o céu e o mar, entre o vinho e as baleias, entre a força e o silêncio.
Os navegadores portugueses provavelmente descobriram esta ilha ao mesmo tempo que os outros do Grupo Central. Inicialmente conhecida como a ilha de D. Dinis, o nome actual deriva de ser a montanha portuguesa mais alta. Pensa-se que o Pico foi a última ilha do Grupo Central a ser povoada, uma empresa que se materializou essencialmente depois de 1480.
Os colonos, vindos de Portugal Continental, após fazerem uma escala na Terceira e Graciosa, escolheram as Lajes como sua primeira residência. As plantações de trigo e ford (planta da qual foi extraída uma tonalidade), que começaram a seguir o exemplo da vizinha ilha do Faial, foram a base frágil do desenvolvimento económico durante este primeiro século: de facto, o clima seco e quente de algumas zonas da ilha, e a mesma riqueza mineral do solo de lava, que se opôs à expansão da agricultura, permitiram o sucesso crescente da viticultura, na qual predominava a vinha chamada verdelho. Pouco a pouco, o vinho e a aguardente do Pico emergiram da restante produção de vinho açoriano, e começaram a ser apreciados mesmo fora da ilha, o que se tornou particularmente importante especialmente no século XVIII. Exportado por toda a Europa e América, o vinho Verdelho era conhecido internacionalmente, ao ponto de ser consumido mesmo pelos czares da Rússia.
Do ponto de vista administrativo e económico, o Pico sempre teve relações muito estreitas com o Faial, tanto porque a Horta era o porto a partir do qual os produtos Picoense destinados à exportação (a ilha, de facto, não tinha enseadas seguras), como porque, até à crise do vinho do século XIX, a maioria dos proprietários das terras da ilha da montanha eram provenientes da ilha vizinha. Durante o primeiro quarto do século XVIII, ocorreram importantes erupções vulcânicas, uma espécie de presságio do fim da idade de ouro do verdelho. Em meados do século XIX, o ataque devastador do oídio e da filoxera destruiu a maior parte das vinhas. E uma vez perdidos os vinhedos, a tradição e o prestígio, ocorreu a emigração maciça dos habitantes para o Brasil e a América do Norte. Como alternativa, uma parte dos que ficaram voltou-se para o mar.


O cinzento escuro do basalto, o azul cristalino das águas e o branco leitoso da espuma das ondas formam a trilogia cromática da costa do Pico. Sem praias, mas com muitas baías e enseadas encantadoras, a ilha está equipada com várias zonas balneares, frequentemente obtidas a partir da costa naturalmente recortada, e portanto capaz de oferecer belas paisagens naturais. Em algumas partes da costa, falésias muito altas elevam-se, tão imponentes e admiráveis como as de São Jorge: o ponto de vista da Terra Alta oferece precisamente este panorama.
Ribeiras, Lajes do Pico ou Ponta do Mistério
Arcos, grutas costeiras e bancos de rocha dura seguem uns aos outros ao longo da costa, dando acesso às vinhas, com as suas típicas adegas. Em muitos lugares, tais como Ribeiras, Lajes do Pico ou Ponta do Mistério, são visíveis extensas fajãs de lava (zonas costeiras planas), um testemunho eloquente da luta contínua entre a força criativa dos vulcões e a acção destrutiva do mar.
Faial — a ilha que olha o mundo
O Faial sempre foi ponto de passagem. A Horta, com a sua marina, recebeu marinheiros do mundo inteiro.
A erupção dos Capelinhos, no século XX, mudou a paisagem e marcou gerações.
O que ver no Faial
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Vulcão dos Capelinhos
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Caldeira do Faial
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Marina da Horta
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Museu dos Capelinhos
O Faial é cosmopolita à sua maneira — aberto, curioso, atlântico.
Bem-estar devolvido no século XVII, após a restauração da monarquia portuguesa, graças ao porto. A Horta tornou-se uma plataforma entre a Europa e o continente americano, graças à sua enseada protegida e à exportação de vinho produzido na ilha do Pico. Este produto, tal como o vinho e o brandy das uvas São Jorge e Graciosa, foi comercializado em Portugal e no resto da Europa, e também nas colónias britânicas. Durante o século XVIII, o Faial também conheceu o ciclo de produção e exportação de laranjas, uma fonte de riqueza para todo o arquipélago. O porto da Horta viveu a sua era dourada, dado que todos os navios a vapor que atravessavam o Atlântico e a frota baleeira norte-americana fizeram aí uma paragem.
Em meados do século XIX, uma década foi suficiente para as doenças de pragas dizimarem as vinhas e os laranjais. No entanto, graças à sua localização, a ilha foi transformada num centro nervoso de telecomunicações. A transmissão de informação entre a América do Norte e a Europa foi realizada por cabos telegráficos submarinos ligados à cidade da Horta, cuja rede inaugural remonta a 1893. Posteriormente, várias empresas internacionais instalaram cabos submarinos que ligavam os continentes que atravessavam a ilha. E, no início do século XX, precisamente em 1915, o Faial adquiriu uma importância ainda maior graças à construção do Observatório Meteorológico, localizado na Horta.


Entre as “ilhas do triângulo”, o Faial tem o maior número de praias de areia vulcânica: Porto Pim, Praia do Almoxarife e Praia do Norte convidam a banhos de mar refrescantes. A costa leste parece ter uma inclinação acentuada, agora elevada agora quase ao nível do mar, devido às poderosas forças tectónicas que a dividem em vários grandes blocos.
Ribeira Funda e a Praia do Norte – Morro de Castelo Branco e Varadouro
No lado ocidental, a costa é dominada pelas imponentes falésias entre a Ribeira Funda e a Praia do Norte, e pelas que se situam entre Morro de Castelo Branco e Varadouro: mergulham no mar quase por completo, dando então origem às falésias rochosas da península de Capelo, que se estendem em direcção ao oeste e correspondem à área geologicamente mais recente da ilha.
Flores — onde a natureza manda
Falar das Flores é baixar a voz.
Aqui, a natureza não é cenário — é protagonista. Reconhecida como Reserva da Biosfera, esta ilha ensinou-nos que menos é mais.
O que ver na Ilha das Flores
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Poço da Ribeira do Ferreiro
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Rocha dos Bordões
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Lagoas vulcânicas
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Cascatas, trilhos e silêncio
Historicamente isolada, as Flores preservaram algo precioso: o ritmo natural da vida. Não se visita as Flores. Vive-se.


A Ilha das Flores, nos Açores, é o ponto mais ocidental do continente europeu. Com 16,6 km de comprimento e 12,2 km de largura máxima, com uma área de 141,4 km2, é a quarta em tamanho entre as 9 ilhas que compõem o Arquipélago dos Açores.
Mesmo na Ilha das Flores os primeiros esforços populacionais foram flamengos, e em particular por Willem van der Haghen, que depois de se estabelecer inicialmente em São Jorge, por volta de 1480 decidiu procurar fortuna em áreas ainda mais ocidentais. Ou porque estava desapontado com o potencial económico de Flores, ou porque não suportava o isolamento do resto do arquipélago, a sua experiência não teve sucesso, e os flamengos regressaram a São Jorge. Abandonado durante anos, o território teve de esperar até 1508 para que uma população estável ocorresse, desta vez graças ao empenho dos capitães da família Fonseca. Embora tardiamente, o crescimento populacional começou a consolidar-se. As Lajes das Flores foi declarada cidadã em 1515, e Santa Cruz das Flores em 1548. A partir do final do século XVI, nas mãos da Mascarenha, o desenvolvimento das Flores foi ainda mais incisivo. Como na maior parte do arquipélago, o cultivo de cereais representou a base económica durante um par de séculos, assistido pela criação de ovelhas, o fabrico de tecidos e a pesca.
Durante os séculos XVI e XVII, a ilha viveu tranquila e isolada, mas esta condição foi posta em causa pelas frequentes e indesejadas visitas dos corsários. A Ilha das Flores, o ponto mais ocidental da Europa, uma posição táctica altamente importante, foi o ponto estratégico de apoio dado pela Coroa aos navios do Pacífico e aos índios. Mas a ilha era também vigiada por piratas e piratas, que por sua vez aguardavam alegremente a passagem dos galeões espanhóis carregados de metais preciosos embarcados na América, e de navios portugueses vindos do Oriente.
A escrita do século XIX de Lord Alfred Tennyson perpetuada no poema A Vingança neste tempo remoto de aventura e embarque naval. “Nas Flores, nos Açores, Sir Richard Grenville leigo”: assim começa a história da heróica derrota do navio comandado pelo corsário inglês Sir Richard Grenville, derrotado por uma frota espanhola. A partir de meados do século XVIII, Flores tornou-se o porto dos exércitos baleeiro inglês e norte-americano, que aí desembarcaram para fornecer e contratar novos membros para as suas tripulações. Esta influência levou à organização de bases de caça de cachalotes tanto nas Lajes das Flores como em Santa Cruz das Flores: as instalações então construídas para prosseguir com a extracção de óleo de baleia ainda existem.
A inauguração do aeroporto em 1972 e a construção de instalações portuárias modernas levaram a uma maior integração do Grupo Ocidental no Arquipélago dos Açores. O sector terciário é actualmente o motor da economia da ilha, ocupando cerca de 60% da mão-de-obra, e o turismo é também um campo cada vez mais significativo.
A ILHA ROSA
Inúmeros ilhéus, picos, planícies, grutas costeiras, disjunções prismáticas, quedas de água e vales são algumas das peculiaridades da costa das Flores. Entre as altas falésias da costa sul, Fajã Nova, na Ponta da Rocha Alta, e Fajã de Lopo Vaz pode ser alcançado a pé graças ao caminho que corre ao longo da falésia.

Arco de Santa Cruz das Flores,Gruta dos Enxaréus
A grandeza e diversidade da linha costeira das Flores justificam uma longa viagem de barco. De facto, só do mar se pode ver o Arco de Santa Cruz das Flores, ou a ilhota Maria Vaz, ou entrar na Gruta dos Enxaréus, com 50 metros de comprimento.
Na Ilha das Flores pode praticar mergulho e a observação de cetáceos, bem como pescar nas rochas, no mar ou nos riachos cheios de trutas. No solo, aqueles que estão licenciados podem caçar galinholas e coelhos. A ilha é um dos melhores locais dos Açores para observação de aves como a régua e o blackcap, e é um autêntico refúgio para espécies sedentárias e migratórias, especialmente para as provenientes do continente americano.
Dada a abundância de riachos e quedas de água, o canyoning está em plena expansão. Existem dezenas de lugares adequados para a prática desta modalidade, e existem cursos especiais para aqueles que nunca experimentaram esta forma de aliança entre a adrenalina e o contacto com a natureza.

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Corvo — o fim e o começo
O Corvo é pequeno, mas inteiro.
Uma vila, uma caldeira, uma comunidade. Aqui, todos se conhecem e o mundo parece caber numa mão.
O que ver no Corvo
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Caldeirão do Corvo
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Vila do Corvo
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Observação de aves
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Paisagem aberta ao infinito
É o lugar onde se aprende que simplicidade não é falta — é escolha.
O avistamento do Corvo, pelo navegador português Diogo de Teive, deve ter ocorrido por volta de 1452, ao mesmo tempo que a ilha das Flores foi descoberta.
A vida no Corvo era pacífica, marcada pelos ritmos da agricultura, da pesca e da criação, o que garantia a existência da comunidade. Mas, ao contrário do que se poderia supor, a posição geográfica da ilha permitiu-lhe ultrapassar o seu isolamento imaginável. De facto, o Corvo definiu a linha de fronteira para os exércitos navais portugueses, que para lá foram receber navios dos vários pontos dos impérios português e espanhol, e depois escoltou-os em segurança até à Europa continental. Assim, o isolamento foi quebrado nos finais do século XVI, e ao longo do século XVII, frequentemente também por piratas e piratas em busca de saques e reféns. No Corvo encontraram uma forte resistência e, de facto, a derrota sofrida em 1632 pelos piratas da Barbária, vindos do norte de África, permaneceu histórica. A população rejeitou o ataque com pedras, e a lenda diz que na dura e desequilibrada batalha interveio a padroeira dos lugares, a Virgem do Rosário, que “desviou todos os tiros disparados pelos piratas e os devolveu, multiplicados, para os navios dos mouros, conseguindo colocá-los em fuga”. Desde então, o seu nome tornou-se Nossa Senhora dos Milagres (“Madonna of Miracles”).
A coragem do povo do Corvo foi novamente demonstrada em 1832, quando um grupo de corvos foi à Terceira pedir o alívio dos pesados impostos pagos ao senhor da ilha e à Coroa. O ministro do rei D. Pedro IV, Mouzinho da Silveira, que estava lá para organizar a luta liberal a partir de Angra, ficou impressionado com a situação de escravatura vivida pelos habitantes da pequena ilha. Ele propôs o cancelamento dos impostos em dinheiro e a redução do imposto sobre o trigo para metade. Nesse mesmo ano a aldeia recebeu o título de cidadão, e passou a chamar-se Vila do Corvo.Durante os séculos XVIII e XIX, os baleeiros americanos começaram a frequentar as costas das ilhas do Grupo Ocidental. Alguns corvos foram recrutados para a caça à baleia, e ganharam a sua reputação como corajosos arpões. Em 1864, o Corvo tinha quase 1.100 habitantes, mas desde então a população começou a diminuir gradualmente. Entre 1900 e 1980, o Corvo passou de 808 para 370, principalmente devido à emigração para os Estados Unidos e Canadá.
A inauguração do aeródromo do Corvo em 1983 foi crucial para a modernização das estruturas da ilha, e em 1991 o estabelecimento de rotas regulares para as Flores, Faial e Terceira decretou a plena integração da ilha na dinâmica do arquipélago. A actividade agrícola, centrada na criação de gado, é actualmente a pedra angular da economia local.


Toda a ilha está rodeada por altas e íngremes falésias, principalmente nos sectores ocidental e setentrional, devido à forte erosão marinha a que a natureza detrital dos produtos vulcânicos está sujeita. Esta erosão origina rupturas e deslizamentos importantes, e revela as veias basálticas que atravessam as formações principais, formando uma rede densa, complexa e caprichosa de formas intrusivas.
Um passeio de barco pela ilha é uma experiência inesquecível, revelando as áreas mais inacessíveis e permitindo observar paisagens maravilhosas, um grande número de aves marinhas e alguns vertebrados marinhos, incluindo golfinhos e baleias.
Qual ilha escolher? Um conselho de quem vive aqui
Não escolha a ilha mais famosa.
Escolha a que combina com o seu ritmo.
Os Açores não gostam de pressa. Gostam de quem escuta, observa e respeita.
E se puder, fique mais tempo numa só ilha. Os Açores revelam-se aos poucos.

Conclusão: os Açores não se visitam, sentem-se
Cada ilha guarda histórias de vulcões, de mar, de fé e de resistência. Quem vive aqui sabe: somos feitos da terra que nos sustenta e do oceano que nos isola.
Conhecer as ilhas dos Açores é aceitar um convite raro — o de abrandar.
E algumas ilhas, como as Flores, ainda nos lembram que o mundo pode ser simples, verde e verdadeiro.
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